Brincar como linguagem artística na infância
- Brincartear
- 3 de fev. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
A brincar como linguagem artística pode criar experiências significativas quando respeita o ritmo, a autoria e as formas de participação de cada criança. Este guia reúne contexto, orientações práticas e cuidados para que a proposta seja culturalmente responsável, acessível e possível no cotidiano.
Contexto e repertório
A brincadeira é algo quase que intrínseco aos seres humanos. Não que ela seja uma característica genética herdada dos ancestrais, mas sim uma prática passada por gerações pura e simplesmente através da repetição. Em nossa cultura a brincadeira transcende as idades, sendo praticada desde os bebês até os idosos. Seja através de jogos, gincanas, faz de conta ou fantasia, a brincadeira -- aqui no Brasil -- é marca registrada de nosso povo. Mas qual a diferença entre brincadeira e arte? Existem brincadeiras que envolvam aspectos artísticos?
A arte nos coloca diante de algumas características fundamentais que a faz ser considerada como tal. Dentre elas, destaco aqui algumas que constituem as primordiais diferenças entre a brincadeira e o fazer artístico: 1. A presença do espectador (seja ele passivo ou ativo) e do artista (ou criador da obra); 2. A estruturação planejada dos elementos que constituem a obra; 3. A delimitação de uma área para a apresentação. Além destes 3 fatores, existe um aspecto fundamental na formação do artista e em uma apresentação artística que é: a triangulação. Triangulação é quando o artista interage com os elementos de sua obra ou mesmo com os outros artistas que a compõe e, constantemente, entrega a obra ao público, trocando com o espectador o seu olhar, os seus objetos de cena, levando o seu público para e através de seu mundo ou até convidando à participação aqueles que estão assistindo. Mesmo no caso de uma exposição de quadros, aonde o autor das obras não está presente, estes 4 elementos aparecem, mesmo que de outras formas, como por exemplo a presença do artista na assinatura da obra, materializando sua pessoa no próprio quadro e até sendo representado pelo curador da exposição.
O que acontece com a brincadeira é que ela carece de um público a quem se destina, apagando assim a presença da triangulação: ela é centrada em si ou no coletivo que a compõe. No caso de uma brincadeira livre também acontece de o espaço ser limitado não pela estruturação consciente, mas sim do ambiente que está disponível para sua realização. Em um jogo, há um abismo entre o público -- no caso de uma torcida -- e seus jogadores, pois a triangulação não é constantemente realizada, centrando as ações do jogo, em maior parte, na relação de troca entre os jogadores (incluindo aqui técnicos, treinadores, etc). Contudo, há um tipo específico de brincadeira que é a brincadeira popular ou as manifestações folclóricas de nossa terra. Aqui no Brasil, os mestres desta arte -- popularmente conhecida como folguedo -- colocam em cena seu time de brincantes que encenam, cantam, tocam e dançam um espetáculo onde o público está bem delimitado, seja em forma de cortejo ou mesmo em um palco (com suas mais diversas variações). Se ainda sim bater a dúvida, se pergunte: o que está acontecendo (obra) está sendo, constantemente, oferecido (triangulação) a alguém (público)?
Como colocar em prática com intenção
disponibilizar materiais abertos e seguros
apresentar referências sem exigir cópia
dar tempo para experimentar e recomeçar
perguntar sobre escolhas em vez de avaliar o resultado
documentar processos com autorização
Adapte quantidade de participantes, duração, materiais e nível de mediação. Observe as respostas do grupo e ajuste o planejamento em vez de exigir que todas as pessoas participem da mesma maneira.
Acessibilidade, segurança e participação
Ofereça alternativas de movimento, comunicação e contato com materiais. Antecipe sons, regras e mudanças de ambiente; garanta pausas e uma forma segura de recusar. Supervisão, consentimento para imagens e respeito às necessidades individuais fazem parte da qualidade da experiência.
Perguntas frequentes
Toda produção precisa virar um trabalho final?
Não. Explorar, desmontar e transformar também faz parte do processo artístico.
Como elogiar sem controlar?
Descreva o que observou e faça perguntas genuínas sobre as escolhas da criança.
Para ampliar o repertório
Continue a pesquisa com 15 ideias de oficinas recreativas. Escolha uma proposta, adapte-a ao seu contexto e registre o que favoreceu participação, curiosidade e bem-estar.



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