Ler ou contar histórias? Benefícios e diferenças
- Brincartear
- 3 de fev. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de jul.
Entenda diferenças entre ler e contar histórias e saiba como combinar as duas práticas para ampliar repertório, vínculo, imaginação e participação infantil. O foco está em decisões possíveis para famílias, escolas, educadores e equipes culturais.
Por que este tema merece atenção
Ler preserva a linguagem escrita da obra; contar permite recriar a narrativa com voz, memória e interação. As duas práticas podem conviver e ampliar o repertório das crianças.
Desde pequeno eu ouvia histórias da minha avó. Ela era exímia e perita na arte de contar causos. E eram muitos, para além do que se possa imaginar. Por se tratarem de histórias que ela mesmo havia vivido, as narrativas ganhavam vida particular e eram repletas de afetos que apenas saíam como melodias de sua boca. Com enorme paixão pelo que falava, ela fazia com que eu e minha irmã sentíssemos aquilo que ela mesma havia sentido quando presenciou cada acontecimento.
Além de nos levarem para mundos e universos distantes ou até mesmo nos trazer mais perto da nossa própria realidade, histórias tem seu encanto particular. Mas para além do encanto, elas estimulam diversos conhecimentos em formação nas crianças. Para elas, ouvir histórias traz uma diversidade riquíssima de palavras para o seu vocabulário. Muitas vezes, é através das narrativas que o pequeno é apresentado a novos símbolos e significados. Com isto, ele aprende a se localizar melhor em seu meio social, além de obter um leque maior de significados expressivos para os seus sentimentos. É também através das histórias que a criança aprende a se localizar temporalmente, visto que os tempos verbais (passado, presente e futuro) são uma janela enorme de aprendizagem para esta fase da vida. Aprender a diferenciar o antes e o depois, o que está longe do que está perto, além de outros conhecimentos técnicos, são apenas alguns dos aspectos que a linguagem pode lhe apresentar. Se houver gravuras no livro ou mesmo gestos e objetos em uma contação de histórias, a criança aprende ainda a atribuir significados que vão além de seu mundo conhecido, conferindo novos sentidos para a linguagem apresentada. Estes sentidos de que tratam a linguagem são sempre mais significativos quanto mais atrelados a pessoas, objetos e lugares próximos à criança. Desta forma, referir-se a algo conhecido passa a assumir afetos que transbordam o significado literal de cada palavra e é assim que a criança vai criando laços com tudo que a cerca.

Como levar à prática
Comece pelo contexto do grupo e faça uma proposta simples, que possa ser observada e ajustada. Os pontos abaixo ajudam a transformar a intenção em experiência concreta:
selecionar obras com qualidade literária e diversidade de autoria
preparar o espaço para que texto, imagens e gestos possam ser acompanhados
fazer pausas que acolham perguntas sem explicar tudo
permitir reconto, desenho, dramatização ou silêncio depois da história
Planejamento passo a passo
observe interesses, necessidades e condições reais do grupo
defina uma intenção principal e critérios simples de observação
prepare espaço, materiais e alternativas de participação
apresente a proposta, acolha escolhas e ajuste o ritmo
registre o que aconteceu e use os indícios no próximo encontro
Acessibilidade, segurança e respeito
Descreva imagens essenciais, cuide do volume e ofereça livros táteis, fonte ampliada ou recursos de comunicação quando necessários. Não obrigue a criança a responder ou representar.
Perguntas frequentes
É preciso que todas as crianças participem do mesmo modo?
Não. Observar, entrar depois, contribuir com uma função diferente ou fazer uma pausa também são formas legítimas de participação. A mediação deve ampliar possibilidades, não uniformizar respostas.
Como adaptar para diferentes idades?
Mantenha a intenção e ajuste duração, linguagem, materiais, complexidade e autonomia. Em grupos mistos, ofereça papéis complementares para evitar que as crianças menores apenas imitem as maiores.
Próximo passo
Quer planejar uma experiência de arte, brincadeira ou cultura para seu grupo? Conheça o trabalho do Brincartear e envie as informações de público, espaço e objetivo para iniciar a conversa.



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