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Datas comemorativas na escola: como trabalhar com sentido

18 de mar. de 2024
2 min de leitura

Atualizado: 18 de jul.

Reflita sobre datas comemorativas na escola e veja como evitar atividades automáticas, estereótipos e exclusões por meio de projetos contextualizados. O foco está em decisões possíveis para famílias, escolas, educadores e equipes culturais.

Por que este tema merece atenção

Planejar na infância é formular intenções a partir de observações reais e manter abertura para o que as crianças revelam. O documento orienta o trabalho; ele não substitui a escuta do grupo.

Na educação muitas das atividades e muito do planejamento é pautado em cima do calendário comemorativo que inclui carnaval, páscoa, dia do trabalho, dia das mães, dos pais, etc... Porém este modelo, já um pouco ultrapassado, limita a experiência das crianças em relação à aprendizagem, pois faz com que ela perceba o mundo à sua volta baseada no calendário, que é apenas uma das ferramentas de contagem de tempo que pautam a vida que levamos. Existem outras nuances da natureza que podem ser observadas em relação ao calendário e que muitas vezes não são contempladas, como por exemplo as fases da lua, as estações do ano ou mesmo as festividades das colheitas das fazendas. Uma destas festividades é a da colheita do milho, que ficou conhecida por festa junina, mas mesmo que ela seja comemorada os elementos que são atrelados a esta comemoração afastam cada vez mais a origem da festividade do que realmente ela representa.

E aqui vai um ponto crucial desta discussão. Quando pensamos em comemorar algo, podemos fugir um pouco do tradicional, como por exemplo comemorar o dia do Saci e presentear as crianças com uma caçada a esta criatura encantada da natureza ou mesmo podemos pensar no mês de Agosto, que é o mês do folclore para apresentar às crianças as riquezas culinárias que o nosso país tem em sua cultura.

Crianças pesquisando diferentes celebrações e produzindo um projeto coletivo

Como levar à prática

Comece pelo contexto do grupo e faça uma proposta simples, que possa ser observada e ajustada. Os pontos abaixo ajudam a transformar a intenção em experiência concreta:

  • registrar situações significativas sem rotular as crianças

  • definir poucos objetivos observáveis e coerentes com o contexto

  • prever materiais, ambientes, tempos e formas de participação

  • revisar o plano com base no que aconteceu, e não apenas no previsto

Planejamento passo a passo

  1. observe interesses, necessidades e condições reais do grupo

  2. defina uma intenção principal e critérios simples de observação

  3. prepare espaço, materiais e alternativas de participação

  4. apresente a proposta, acolha escolhas e ajuste o ritmo

  5. registre o que aconteceu e use os indícios no próximo encontro

Acessibilidade, segurança e respeito

Use linguagem respeitosa e proteja dados pessoais. Evite comparar crianças ou transformar diferenças em déficit. Planeje apoios, rotas acessíveis, tempos de pausa e meios diversos de expressão.

Perguntas frequentes

É preciso que todas as crianças participem do mesmo modo?

Não. Observar, entrar depois, contribuir com uma função diferente ou fazer uma pausa também são formas legítimas de participação. A mediação deve ampliar possibilidades, não uniformizar respostas.

Como adaptar para diferentes idades?

Mantenha a intenção e ajuste duração, linguagem, materiais, complexidade e autonomia. Em grupos mistos, ofereça papéis complementares para evitar que as crianças menores apenas imitem as maiores.

Próximo passo

Quer planejar uma experiência de arte, brincadeira ou cultura para seu grupo? Conheça o trabalho do Brincartear e envie as informações de público, espaço e objetivo para iniciar a conversa.

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