
Como aplicar o cacuriá na escola: guia prático para 2026
- Flavio Aoun
- há 2 dias
- 6 min de leitura
Nos últimos anos, percebi um interesse crescente das escolas em vivenciar manifestações da cultura popular brasileira no ambiente escolar. Uma dessas expressões que sempre me chamou atenção é o cacuriá, tradição nascida no Maranhão, cheia de ritmo, cor e alegria. Quando vi, pela primeira vez, uma turma inteira experimentando os passos do cacuriá, a energia que transformou aquele espaço foi contagiante. Mas, afinal, como inserir o cacuriá no contexto escolar de modo prático, sensível, inclusivo e eficiente para 2026?
O que é o cacuriá e por que ele tem tanto valor?
A dança do cacuriá surgiu como tradição junina ligada à Festa do Divino Espírito Santo no Maranhão. Ela se destaca pelo batuque marcante dos tambores, pelo gingado do quadril e pelo colorido das saias rodadas, celebrando o encontro de influências indígenas, africanas e europeias.
Em minhas pesquisas e experiências, o cacuriá é muito mais do que dança, é uma celebração da coletividade e da nossa identidade cultural. Levar o cacuriá para a escola valoriza o que temos de mais autêntico e cria um espaço em que crianças aprendem brincando, com respeito às tradições regionais.
Por que o cacuriá faz diferença na escola em 2026?
O Brasil vive uma realidade escolar em constante transformação: a universalização da pré-escola avança rapidamente, com os dados do Censo Escolar 2024 apontando quase 5,4 milhões de matrículas. Crianças de quatro e cinco anos ocupam cada vez mais esse espaço, e as escolas precisam de estratégias para fortalecer vínculos, autoestima e o prazer em aprender.
Incorporar o cacuriá responde diretamente a essa demanda porque conecta os pequenos à cultura brasileira de forma lúdica e, ao mesmo tempo, promove valores de respeito, colaboração e criatividade. Além disso, como dados do IBGE sugerem, há uma crescente frequência escolar, especialmente desde a retomada pós-pandemia. É o momento perfeito para apostar em experiências culturais coletivas e vivas.
Planejamento: como organizar o cacuriá na rotina escolar
Na minha experiência, estruturar o cacuriá como projeto ou oficina é a forma mais envolvente de engajar toda a escola. O segredo está em unir diferentes áreas do conhecimento: música, artes visuais, educação física e literatura, criando um ambiente dinâmico e inclusivo.
Identifique parceiros na escola: professores de artes e educação física costumam ser grandes aliados.
Divida em etapas: apresentação cultural, oficinas de ritmo, confecção de instrumentos, ensaio dos passos básicos e vivências coletivas.
Envolva todos os ciclos: adapte a intensidade para bebês, crianças maiores, adolescentes e até adultos do entorno escolar.
É importante também planejar a atividade em sintonia com datas comemorativas, festas juninas ou semanas culturais, tornando o cacuriá uma experiência esperada e celebrada.
Passo a passo: da sensibilização à prática do cacuriá
Como gosto de praticidade, costumo dividir o processo em cinco momentos essenciais. Assim, fica fácil ajustar à realidade de cada escola.
Apresentação da história e significado do cacuriá: Uso recursos audiovisuais, leitura de histórias e, se possível, convidados da comunidade local.
“O cacuriá é nossa história viva.”
Vivência musical: Mesmo sem instrumentos, exploro sons do próprio corpo e objetos do cotidiano, simulando o ritmo característico dos tambores.
Confecção de adereços: Incentivo as crianças a criarem suas saias de papel ou tecido e instrumentos com material reciclável. Isso reforça a criatividade e o sentido coletivo.
Aprendizagem dos passos principais: Apresento devagar o gingado característico, começando pelo movimento do quadril e experimentando em círculo. A circularidade permite incluir todos, sem medo ou julgamento.
Momento de celebração: Junto todos para dançar, sem cobrança de perfeição, promovendo alegria e respeito às diferenças.
Pude comprovar, ao aplicar esse formato, como cada etapa contribui para que o cacuriá seja incorporado com significado e entusiasmo.
O que trabalhar junto ao cacuriá?
Além da dança, gosto de enriquecer as aulas trazendo outros elementos da cultura popular para potencializar a experiência. Nas festas escolares com temas de cultura popular, inserir o cacuriá junto a rodas de Ciranda, Coco e Carimbó amplia o repertório cultural.
No planejamento interdisciplinar, algumas ideias que aplico com sucesso:
Relacionar festas, lendas e histórias regionais, como destaca a Secretaria de Educação de Goiânia ao valorizar danças folclóricas no currículo.
Oficinas de construção de instrumentos de percussão reaproveitando materiais da escola, como em oficinas recreativas de cultura popular.
Atividades de musicalização, integrando canto, ritmo e improvisação, como abordado no artigo sobre atividades com música na educação infantil.
Também busco, sempre que possível, inspiração em experiências pedagógicas descritas em outras localidades. Uma pesquisa sobre o Frevo em Recife, por exemplo, mostrou como processos de problematização e articulação com a realidade dos alunos tornam a dança ainda mais impactante.
Inclusão, diversidade e adaptação para todas as idades
Um dos grandes encantos do cacuriá é sua capacidade de engajar pessoas de diferentes idades e habilidades. Eu adapto as propostas para cada grupo:
Crianças pequenas: movimentos mais suaves e lentos, priorizando o brincar livre.
Adolescentes: desafios rítmicos, propostas de improvisação e debates sobre a origem da dança.
Idosos e comunidade: encontros intergeracionais, resgatando memórias e fortalecendo vínculos afetivos.
Experiências relatadas em estudo sobre danças indígenas nas escolas reforçam a importância de valorizar expressões culturais diversas, sempre com respeito e diálogo.
Dicas práticas para quem vai começar do zero
Mesmo quem nunca teve contato com o cacuriá pode iniciar! Separei algumas dicas práticas que sempre compartilho nas formações:
Assista a vídeos e busque músicas típicas para ambientar as aulas.
Inicie com movimentos simples do quadril e pés, depois proponha o uso dos braços.
Use instrumentos simples: baldes, latas e garrafas com grãos produzem ótimos sons.
Estimule rodas de conversa para ouvir o que os alunos sabem sobre festas juninas e cultura regional.
Planeje uma apresentação final, mesmo que pequena, para a comunidade escolar.
Lembre-se: o processo é mais importante do que o resultado.
Se você quiser ainda mais inspirações, recomendo a leitura sobre aplicação de cultura popular em turmas grandes, e também sobre como brincadeiras folclóricas fortalecem os laços familiares dentro e fora da escola.
Como avaliar e perpetuar o cacuriá entre os alunos
Em vez de avaliações tradicionais, gosto de propor registros em áudio, vídeo, desenhos e depoimentos dos próprios alunos. Ouvir da boca deles o que sentiram ou aprenderam é uma forma de mensurar o impacto da atividade.
Uma sugestão simples é montar um diário coletivo da turma, documento vivo que pode ser apresentado em reuniões pedagógicas e inspirar novas gerações. Outra possibilidade é abrir espaço para que a comunidade local compartilhe memórias ligadas ao cacuriá ou a outras manifestações.
Conclusão
Trazer o cacuriá para a escola em 2026 é mais do que promover uma dança: é criar canais de afeto, respeito e pertencimento ao universo da cultura popular brasileira. Vivenciei momentos em que o cacuriá virou o ponto alto do ano letivo, mostrando que a escola pode ser um espaço de alegria, criação e tradição. Quando a educação valoriza a diversidade, toda a comunidade escolar cresce junto.
Espero que este guia inspire educadores, coordenadores e famílias a assumir essa proposta, tornando cada sala de aula uma potente celebração do Brasil que pulsa em nossos ritmos, cores e histórias.
Perguntas frequentes sobre cacuriá na escola
O que é cacuriá na escola?
O cacuriá na escola é a vivência da dança tradicional do Maranhão adaptada para o ambiente escolar, promovendo brincadeiras, musicalização, criação de adereços e inclusão de todos os ciclos da comunidade escolar. Mais do que coreografia, valoriza a cultura, a diversidade e o trabalho coletivo em sala de aula.
Como ensinar cacuriá para crianças?
Eu costumo começar mostrando músicas e vídeos, apresento a história da dança, ensino os passos básicos de forma lúdica e uso instrumentos feitos com material reciclável para estimular o ritmo. O envolvimento das crianças cresce quando elas ajudam a criar figurinos e instrumentos, tornando a atividade uma grande brincadeira coletiva.
Quais os benefícios do cacuriá escolar?
Os benefícios são muitos: favorece o desenvolvimento motor, exercita a coordenação e noção de espaço, conecta crianças à diversidade cultural, fortalece vínculos afetivos e promove a autoestima dos alunos. Além disso, estimula a criatividade e a inclusão, pois todos podem participar.
Precisa de autorização para aplicar cacuriá?
Na maioria dos casos, não há exigência formal de autorização específica para aplicar o cacuriá, já que é uma prática cultural aberta. Porém, sempre converso com a coordenação pedagógica e, quando envolve gravações ou eventos abertos à comunidade, busco o consentimento das famílias e da gestão escolar.
Quais materiais usar nas aulas de cacuriá?
Uso instrumentos de percussão como tambores (pode ser balde ou lata), saias coloridas feitas de tecido ou papel, fitas, lenços e objetos recicláveis para criar adereços. Também faço uso de aparelhos de som simples, celulares ou caixas de som portáteis para a música, e cartazes ilustrados com temas do folclore.





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