Dia das Mães na Educação Infantil: propostas inclusivas
- Brincartear
- 7 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Trabalhar o Dia das Mães na Educação Infantil pode ser uma oportunidade de celebrar vínculos de cuidado, desde que a proposta acolha as diferentes histórias das crianças. Nem todas vivem com a mãe; algumas têm duas mães, vivem com o pai, avós, tios, responsáveis ou pessoas de referência. Por isso, o ponto de partida deve ser a escuta, e não um modelo único de família.
Uma abordagem possível é apresentar a data como uma celebração das pessoas que cuidam, mantendo a palavra “mãe” quando ela fizer sentido para a comunidade. Assim, cada criança escolhe quem deseja homenagear e participa sem precisar explicar situações pessoais diante do grupo.
Antes de planejar a atividade
Converse com as famílias e responsáveis com antecedência. Explique a proposta, pergunte se existe alguma situação que mereça cuidado e ofereça alternativas. Essa comunicação evita constrangimentos e ajuda a escola a preparar uma experiência coerente com sua comunidade.
Também vale observar três princípios:
a criança deve escolher para quem fará a homenagem;
a produção não precisa ficar igual à de todos;
a atividade deve valorizar o processo, não o “presente perfeito”.
Cinco propostas inclusivas e simples
1. Mapa dos gestos de cuidado
Convide as crianças a lembrar ações de cuidado presentes no cotidiano: preparar uma refeição, contar uma história, acompanhar até a escola, brincar, pentear o cabelo ou oferecer colo. Registre as falas em um cartaz coletivo e permita que cada criança desenhe um desses gestos.
A proposta amplia o vocabulário afetivo e desloca o foco do consumo para as relações.
2. Livro coletivo “Quem cuida de mim”
Cada criança cria uma página com desenho, colagem ou fotografia autorizada. O adulto pode registrar uma frase ditada por ela, sem corrigir sua maneira de se expressar. Ao final, as páginas formam um livro da turma que reconhece diferentes configurações familiares.
3. Mensagem com destinatário escolhido
Disponibilize papéis, envelopes, carimbos e materiais de desenho. Em vez de entregar um cartão com texto pronto, pergunte: “O que você gostaria de dizer para essa pessoa?”. Crianças que ainda não escrevem podem ditar a mensagem ou comunicar-se por imagens e símbolos.
4. Caixa de memórias afetivas
Peça que as famílias enviem, de forma opcional, uma pequena história, cantiga ou lembrança de cuidado. As memórias podem ser lidas em roda e guardadas em uma caixa decorada pela turma. Não solicite informações íntimas nem exponha quem preferir não participar.
5. Roda de brincadeiras escolhidas pelas famílias
Reúna uma cantiga, jogo de mãos ou brincadeira compartilhada pelas famílias. Adapte movimentos, volume e tempo de participação para que todas as crianças possam acompanhar. A roda pode terminar com um agradecimento coletivo às pessoas que cuidam.
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Como organizar sem sobrecarregar a turma
Uma experiência significativa não precisa de muitos materiais. Planeje uma sequência curta:
escuta das crianças;
exploração de histórias e brincadeiras;
escolha livre do destinatário;
criação individual ou coletiva;
compartilhamento opcional.
Na estruturação pedagógica da Educação Infantil, registre a intenção da proposta e quais formas de participação serão oferecidas. Isso ajuda a equipe a manter o foco no vínculo e na aprendizagem.
Acessibilidade, privacidade e participação
Ofereça materiais de diferentes tamanhos e texturas, apoio para recorte, comunicação por imagens e possibilidade de realizar a atividade em pequenos grupos. Nenhuma criança deve ser obrigada a falar sobre sua família ou apresentar a produção.
Fotografias e relatos só devem ser usados com autorização. Para documentar a experiência sem expor dados pessoais, registre escolhas, falas espontâneas e processos criativos. O artigo sobre registro pedagógico na Educação Infantil traz um caminho prático.
Perguntas frequentes
É melhor trocar o nome da comemoração?
Depende da comunidade. Algumas escolas mantêm o Dia das Mães e oferecem escolhas; outras adotam “Dia de Quem Cuida de Mim” ou “Celebração das Famílias”. O essencial é não pressupor que todas as crianças vivem a mesma realidade.
A criança precisa produzir um presente?
Não. Uma conversa, história, brincadeira ou mensagem pode ser mais significativa do que um objeto. Se houver produção, ela deve permitir autoria e diferentes formas de expressão.
Como agir quando a data desperta tristeza?
Acolha sem pressionar a criança a falar. Combine com a família ou responsável uma alternativa e permita que ela participe de outra maneira. Se o sofrimento for intenso ou persistente, a equipe pode buscar apoio dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento da criança.
O melhor resultado é uma proposta em que cada criança se reconheça, escolha como participar e perceba que sua história é respeitada.





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