Brincadeiras cooperativas: como desenvolver empatia
- Brincartear
- 19 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de jul.
Brincadeiras cooperativas são jogos em que o grupo compartilha um objetivo e precisa coordenar ações para avançar. Elas podem abrir espaço para escuta, ajuda e negociação, mas não “produzem empatia” sozinhas: a qualidade da mediação e das relações é decisiva.
Atualizado em 27 de julho de 2026.

Competir e cooperar: qual é a diferença
Em uma proposta cooperativa, o desafio é enfrentado pelo grupo e o resultado não depende de eliminar colegas. Isso não significa ausência de regras ou dificuldade. Pelo contrário: restrições bem escolhidas exigem planejamento, comunicação e revisão de estratégias.
Empatia envolve perceber perspectivas e responder com consideração. Durante a brincadeira, ela pode aparecer quando alguém nota uma barreira, adapta o ritmo, oferece ajuda ou aceita outra ideia. O adulto torna essas ações visíveis sem rotular crianças como “empáticas” ou “egoístas”.
8 brincadeiras cooperativas
1. Travessia com ilhas
Distribua bases seguras no chão. O grupo deve atravessar o espaço sem deixar ninguém para trás. Reduza distâncias, use apoios e aceite diferentes modos de deslocamento.
2. Lençol de ondas
Segurando um tecido grande, o grupo cria ondas para mover uma bola leve. Quem não segura pode orientar, marcar ritmo ou escolher trajetos. Evite tecidos sobre o rosto.
3. Desenho compartilhado
Em papel grande, cada pessoa acrescenta linhas e formas para construir uma paisagem coletiva. Combine que ninguém apaga a contribuição do outro sem conversar.
4. História em roda
Cada participante acrescenta uma frase, gesto, imagem ou som. Use cartões visuais e permita passar a vez. O desafio é retomar elementos anteriores e manter uma narrativa comum.
5. Construção resistente
Com caixas, blocos ou rolos, o grupo cria uma estrutura que sustente um objeto leve. Distribua funções e convide à revisão quando cair.
6. Transporte cuidadoso
Duplas ou trios levam objetos entre pontos usando uma bandeja, tecido ou canaleta. O percurso deve privilegiar coordenação, não velocidade.
7. Caça às pistas coletiva
Cada pista depende de informações distribuídas entre participantes. Evite que apenas leitores experientes comandem; use imagens, objetos e sons.
8. Orquestra de gestos
O grupo cria uma sequência em que cada gesto ou som se conecta ao anterior. Alterne quem propõe e permita diferentes intensidades de movimento.
Como mediar sem dar todas as respostas
Apresente o objetivo e as regras de segurança.
Dê tempo para o grupo testar uma primeira estratégia.
Quando surgir um impasse, pergunte o que está dificultando a participação.
Convide as crianças a propor duas soluções e experimentar uma delas.
Faça pausas quando houver sobrecarga ou conflito intenso.
Ao final, converse sobre ações concretas, não sobre vencedores.
Perguntas que ajudam a refletir
O que tornou o desafio mais fácil para o grupo?
Em que momento alguém precisou de ajuda?
Que mudança permitiu que mais pessoas participassem?
Como vocês decidiram entre ideias diferentes?
O que fariam de outro jeito numa próxima tentativa?
Inclusão e segurança
Planeje alternativas de comunicação, movimento e exposição. Evite toque obrigatório, olhos vendados, corridas em piso inadequado e materiais pequenos para crianças que podem levá-los à boca. Adaptações devem ampliar o acesso sem separar ou infantilizar.
Veja outras possibilidades no guia de jogos e brincadeiras da Brincartear e no artigo sobre brincadeiras tradicionais brasileiras.
Perguntas frequentes
Brincadeiras cooperativas eliminam conflitos?
Não. Divergências fazem parte da convivência. O valor pedagógico está em criar condições seguras para negociar, reparar e tentar outras estratégias.
É possível adaptar um jogo competitivo?
Sim. Troque eliminação por metas coletivas, permita retornos ao jogo e valorize cooperação entre equipes.
Como avaliar sem criar ranking?
Registre estratégias, comunicação, pedidos de ajuda, adaptações e participação. Compare o grupo consigo mesmo ao longo do tempo.
Continue o trabalho
Para transformar repertório em prática pedagógica, conheça a formação para educadores da Brincartear. Para encontros celebrativos, veja a proposta de recreação infantil e alinhe o formato ao perfil do grupo.




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